Vai ficar tudo bem!

Publicado em Deixe um comentário

E eu quero começar dizendo que vamos todos ficar bem! Sim. Vai dar tudo certo!

Esse é o tema dessa semana.

E eu gostaria de perguntar se esse é um mantra seu quando você dá conselhos? Mesmo quando você fala consigo mesma, procurando em você alguma motivação para enfrentar algo difícil?

Às vezes, quando é a terceira ou quarta vez que você fala do assunto, sobra uma torcida de nariz e algum comentário sobre a desimportância do seu desabafo. Algo como “Isso é frescura!” ou “Ah, não dá bola pra isso não!”

E falamos assim com as crianças birrentas que nos cercam, às vezes com as que não são birrentas, com as vovós, com as primas, as irmãs, os pais… é aí vira mantra, vira palavra-chave. Algo que a gente fala sem prestar muita atenção no que quer dizer.

Vamos pensar nas consequências disso? Para e pensa comigo.

Quando a gente fala “vai dar tudo certo” apostamos, não é certeza. e ás vezes falamos só pra falar mesmo, sem muita convicção ou interesse no assunto conversado. E é aí que encontramos alguns silenciamentos das conversas. Alguns, depois de ouvir tanto que vai dar tudo certo desistem de conversar sobre temas importantes. Afinal, se vai ficar tudo bem, pra que esquentar a cabeça, não é mesmo? E ás vezes, ás vezes esses silenciamentos são dos sentimentos, de situações de sofrimentos, de violência… e o que parece um simples comentário fica mais como um tapa-buracos.

Em crianças, quando a gente não dá ouvidos, elas aprendem a desimportância de expressarem em linguagem falada e elaborar seus sentimentos. Elas crescem tornam-se adultos como nós e vão fazendo como a gente faz ás vezes, deixa pra lá. E tira a importância dos nossos próprios sentimentos. E eles podem vir a ser um problema pra vocês.

Mas como eu disse no começo da nossa conversa de hoje, vai ficar tudo bem. E sabe por quê? Porque a gente vai fazer ficar tudo bem! Olha que interessante! É só um jeito diferente de ouvir os conselhos de “esquenta não, vai ficar tudo bem!” Junto com esse comentário, a gente pode ouvir um encorajamento para tentar achar um meio de pensar junto como sair de uma situaçãofrustrante, difícil, de sofrimento. O truque é o interesse e a pergunta que pode vir antes ou depois desse comentário.

A pergunta genuína sobre o que está se passando, a vontade genuína de entender a perspectiva do outro, o descobrimento genuíno sobre caminhos possíveis da solução. E isso é possível ser feito seja com o filho, com o sobrinho, com o tio, com a mãe… O mesmo comentário, atitudes diferentes!

E isso é possível ser feito seja com o filho, com o sobrinho, com o tio, com a mãe… O mesmo comentário, atitudes diferentes! Estar tudo bem, também não precisa ser tuuudo bem, ás vezes é só aquilo tudo que você consegue dar conta.

Entre Famílias e Redes de Apoio

Publicado em Deixe um comentário

Redes de Apoio.

O que é isso? Eu vou explicar fazendo uma comparação com redes do nosso cotidiano.

Para e pensa comigo!

Sabe rede? Que tem linhas e nós e que se ligam um ao outro? Que são tecidas pelos pescadores, ou rede de pendurar na varanda, a própria internet é uma rede que conecta pessoas.

Então, do meu ponto de vista e para e penso: todas elas podem servir como ferramenta e também pra descansar…

Se a gente olhar e a gente vai ver que ela pode ser feita de diferentes tecidos, linhas barbantes, são maleáveis, mas que de uma maneira ou de outra, oferecem algum grau de firmeza, segurança, sustentação, um certo toque de beleza. Uma rede bem rendada é bonita de se ver!

Nossa rede de apoio serve da mesma maneira. como ferramenta e descanso. Oferecem recursos Para a gente lidar no nosso dia a dia. Oferece abraço estamos cansados. Tem conexões e tem buracos.

Hoje o tema é rede de apoio porque é uma palavra que está muito ligada com a ideia de família. Mas não tem o mesmo significado. Esses tempos eu estava falando com uma pessoa que ao mesmo tempo em que descrevia sua rede de apoio. Começou pelos pais, parentes, amigos, conhecidos. Ela descartava algumas pessoas, por não ter boa relação com elas.

Eu gosto muito de pensar em ferramenta que oferece recurso e descanso para pensar rede. Sem pensar muito, nem todas as pessoas que convivemos são nós firmes na nossa rede. Ou fazem parte dela. E Nem todos os nós da nossa rede são perfeitamente amarrados entre si. Alguns são mais centrais, outros mais distantes, da mesma maneira, algumas pessoas de nossa rede de apoio são mais próximas, mais flexíveis, mais abertas para acolher a gente enquanto outras são mais distantes, rígidas, nos acolhem com restrições.

Eu vou dar um exemplo de um trabalho que venho desenvolvendo. O Gestando famílias. Um curso para Gestantes e seus Familiares.

A ideia do curso é repensar redes de apoio da família que está sendo gestada. algumas pessoas torcem o nariz para algumas ajudas de mães, sogras, pais, irmãos, por considerarem sufocantes. ficam chateados de não poderem contar com alguns amigos, ou não conseguirem encontrar como antes da gestação porque o ritmo e a rotina mudaram. Essas mesmas pessoas mas aceitam presentes, conversas casuais, um agrado pro bebê, um conselho. a conta e se rompe, do mesmo modo que um buraco muito grande na rede também não sustenta ninguém. E isso que é interessante de pensar na nossa rede de apoio. Nesse costurar de relações que a gente faz no dia a dia a gente se fortalece e fortalece a nossa rede. Você já pensou nisso? Já parou pra pensar na sua rede de apoio? Quem faz parte dela? Quem não faz?

que a gente faz no dia a dia a gente se fortalece e fortalece a nossa rede. Você já pensou nisso? Já parou pra pensar na sua rede de apoio? Quem faz parte dela? Quem não faz?

Transcrição do texto veiculado no Podcast Para e Pensa no dia 02/10/2019, de autoria de Fernanda de Sousa Vieira

Sobre ser mãe

Publicado em Deixe um comentário

Eu não sabia que era tão difícil. Filho não vem com manual, mas tem muita pesquisa na Psicologia ajudando terapeutas, educadores e outros professores a apoiarem pais no processo difícil de criar filhos.

Sendo mãe, desde a gravidez, tudo na vida da gente muda. Nosso corpo, vou dizer é o de menos! Mudamos nossa rotina, nossas escolhas, nossa identidade.

Nosso corpo se transforma.

Por dentro, nosso corpo ele estica, desequilibra, se adapta para caber um serzinho que a gente ama apesar de conhecer só por fotografia.

Por fora é cabelo que fica lindo, volumoso, depois cai. A pele que fica radiante e depois sobram olheiras. Temos fome que nos engordam e leite que damos e nos emagrece. O peito que fica lindo, empinado, cheio de leite e depois que o bebê mama, ele cai! A roupa que cabia e não cabe mais! Manchas de comida e outras “cossitas mas” na roupa limpa que a gente acabou de trocar! MAS, SEMPRE TEM UM MAS… Tem abraço apertado, olhar vidrado e sorriso banguela que completa o look “sou mãe”.

A rotina muda desde a gravidez: o tempo passa devagar e rápido ao mesmo tempo. Durante os meses de enjoo no começo da gravidez a gente sente que isso não vai passar. A barriga parece que não cresce. O sono vem e deixa a gente mole, ás vezes esquecida, chorosa, briguenta… O peso das nossas obrigações vai ficando pesado, do tamanho da barriga. Há, claro, as gentilezas: nas filas, transportes, gente que antes nem olhava passa a olhar para aquele corpo reluzente de mãe. É tanta atenção, tanto carinho!

Nossas escolhas vão mudando também. Antes era lanchinho, cerveja, pão, doce, ketchup, pimenta. Agora tem que comer pra dois. Não em quantidade, mas em qualidade. Nutrir o bebê com alimentos bons e bons sentimentos. Nossas relações mudam. Do marido/parceiro(a)/companheiro(a) até a nossa mãe. Imaginamos o que passam, mudamos de humor e nos sentimos carentes, mudamos de humor e nos sentimos tristes, mudamos de humor e nos sentimos a leoa que nos tornaremos mais pra frente. Acompanhar essa gravidez não é fácil pra ninguém! E as dores, a azia, o sono e a falta dele? E a barriga cresce, e vamos mais ao banheiro, choramos, mudamos de humor. Aquela ida na balada já não aguentamos como antes, aquela subida de escada já parece demais. Pequenas coisas mudam nossa rotina. Pra sempre?

O que mais mudou pra mim foi a identidade. De alguém com nome passei a ser a mãe do mocinho com nome. Antes eu era eu. Hoje sou também eu, mas sou outras coisas mais: sou mais corajosa, sou aquela que deixa de comer a comida quentinha, sou a que dorme quando dá, sou a que trabalha quando dá, a que se procura a todo tempo nas próprias coisas e se acha num olhar do meu bebê que mama. Silenciosamente. Shiii… Dormiu!

E essa é a hora em que a gente pode tomar banho, pode lavar louça, pode dormir, ir no banheiro, namorar, trabalhar.

Meu marido me ajuda!

Publicado em Deixe um comentário

Se eu ganhasse um real por cada vez que eu escuto “meu marido me ajuda” eu estava RYCA!

Ela chama atenção para as divisões de papéis na rotina de uma casa. Não importa se é marido, filho, pai, amigo, primo… estamos falando de divisão sexual do trabalho.

É então… só que se você divide uma casa com alguém, porque não compartilha esse espaço e o suprimento das necessidades dele?

Não precisa ser dividido 50 e 50%. Não é essa questão. Mas é comum que as mulheres se apropriem de atividades, mas é interessante como fica um acordo tácito de que mulheres fazem determinadas atividades enquanto homens fazem outras.

Se a negociação é que um faz e o outro suja, tudo bem, mas foi negociado isso.

Só fica dica sobre uma questão que vem sendo discutida como sobrecarga de trabalho invisível.

É a divisão do planejamento, ações e cuidados com o trabalho doméstico. Isso tem custo, tem perdas, tem dificuldades relacionais que muitas vezes seriam resolvidas com o ônus de ceder espaço para o outro arrumar a casa do seu jeito e dar pitacos sobre a vida cotidiana da casa… com o ganho de ser corresponsável pela casa, cuidando dela melhor!

Estamos entrando no território… é, as vezes não dividir espaço nas tarefas de casa é um ato de não deixar o outro ter participação no território da casa… para e pensa comigo… se a casa vai mal, a culpa é da ou do responsável pelo território da casa… mas se vai bem, ela também é obra do ou da responsável da casa. Se você não compartilha as tarefas também não compartilha os méritos por morar numa casa gostosa. Mas também se sobrecarrega nesses afazeres…

Mais Sobre Esse Tema

http://www.scielo.br/pdf/pcp/v30n2/v30n2a04

Aprender e estudar não são a mesma coisa

Publicado em Deixe um comentário

Num mundo em constante transformação tecnológica, a habilidade de aprender é algo tão importante que torna-se decisivo inclusive na sobrevivência no mundo adulto. Mas existem alguns mitos envolvendo o aprendizado que precisam ser desfeitos. Resumindo: Aprender é muito mais que estudar.

Quando seu filho está em idade escolar, ele não só está inserido num contexto de aprendizagem de conteúdos formais sobre a cultura em que estamos e estudar é uma parte na aquisição do conhecimento passado, como também é um contexto onde ele pode ampliar seu raio de habilidades de memorização, reflexão e crítica sobre o assunto, argumentação sobre seus pontos de vista e comunicação da sua forma de raciocinar.

Sentar, ler com seu filho, discutir o assunto, selecionar aspectos mais e menos importantes sobre o tema, ampliar fontes de busca de conhecimento, validar e verificar versões sobre o conteúdo, elaborar resumos, perguntas e respostas sobre o tema são parte da técnica de estudo envolvida no processo de aprender.

Fazer tudo isso com seus filhos é difícil. É mesmo! Ainda mais se não estamos acostumados a fazer isso. A falta de tempo e o cansaço em relação às outras atribuições da vida de adulto, o desinteresse pelo conteúdo e pelo ato de estudar em si é a desorganização sobre o de começar a ajudar o filho a estudar são dificuldades encontradas por muitos pais.

Em vez de focar nessas dificuldades, quero aqui ressaltar aspectos positivos e poderosos sobre a atitude de ensinar seu filho a aprender ao invés de estudar .

  • É um momento em que você passa com seu filho ( livrando-se da culpa depois pelo tempo que passou quando ele era pequeno e você perdeu)
  • É uma oportunidade de reciclar e ampliar seus conhecimentos sobre o mundo, sobre seu filho e sobre você mesmo (afinal faz tanto tempo que você saiu da escola, não é? E a informação que vocês virem juntos pode te ajudar a entender melhor seu mundo adulto também)
  • É um momento em que você pode ensinar seu filho a ter crítica e a pensar, experimentar e observar o mundo, complementando com comentários sobre seu tempo de escola, suas experiências com o conteúdo. Isso vai ajudá-lo a integrar os conhecimentos passados pela escola com o mundo experiencial e isso é hoje o que o mercado exige do trabalhador.
  • Esse tempo que você “perde” estudando com ele você não precisa repetir depois que seu filho vai crescendo, ficam guardados na memória dos dois.
  • Essa atitude o prepara para se adaptar ao mundo, dando a ele a confiança de que ele é capaz de adaptar-se e desenvolver conhecimentos sobre o mundo que o rodeia.

Pensa nisso!

Mais sobre o assunto:

MOREIRA, Marco Antonio. Aprendizagem significativa subversiva. Série-Estudos – Periódico do Programa de Pós-Graduação em Educação da UCDB, [S.l.], jun. 2013. ISSN 2318-1982. Disponível em: <http://www.gpec.ucdb.br/serie-estudos/index.php/serie-estudos/article/view/289>. Acesso em: 12 maio 2019. doi:http://dx.doi.org/10.20435/serie-estudos.v0i21.289.

VIEIRA, Fabiana Andrade da Costa. Ensino por investigação e aprendizagem significativa crítica: análise fenomenológica do potencial de uma proposta de ensino. 2012. 144 f. Tese (doutorado) – Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciências, 2012. Disponível em: <http://hdl.handle.net/11449/102039>.

CIA, Fabiana; Pereira, CAMILA Sousa; Del Prette, Zilda Aparecida; Del Prette, Almir. Habilidades sociais parentais e o relacionamento entre pais e filhos. Psicologia em Estudo, Maringá, v.11, n. 1, p. 73-81, Jan./abr. 2006. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/%0D/pe/v11n1/v11n1a09.pdf