Produtividade – Como produzir mais sem perder qualidade?

Tudo o que fazemos pode ser visto como produto da nossa atividade humana.

Uma analogia comum é pensar o humano como máquina e, se visto dessa forma, tudo é produto. A tradição dessa analogia é antiga e hoje revela-se atual por estarmos cada vez mais entregues ao que chamaram de internet das coisas. Redes sociais passaram a ser mais do que redes de sociabilidade, viraram isso, viralizaram, tornaram-se produto e máquina de produção ( veja a quantidade de anúncios, posts, marketings, influências que temos disponíveis por vez que você rola seu feed).

E nesse ponto, o que queremos com produtividade?

Eu escuto muito falar que produzir é entregar. A expressão atualizada de “mostrar serviço”. Entrega virou palavra da moda também quando não mais podemos nos ver no escritório, no happy hour, no barzinho, na baladinha, na rua. Como é que “mostramos serviço” se não podemos “dar as caras”?

E se produzir é entrega, então o que entregamos nessas relações, na falta delas, na nova normalidade das relações de trabalho/ casa, intimidade/publicidade? A discussão de produtividade aparece destacada como ponte e obstáculo entre os mundos de casa e do trabalho, sendo os dois em períodos alternados, no mesmo endereço (quando é possível).

Produzir parece que requer duas coisas em composição: recurso e tempo. Como dois investimentos dinâmicos.

Passado o susto da entrana na quarentena e os vários conselhos de especialistas que dizem que a produtividade não será mais a mesma, o que se percebe é que cada vez se entrega mais tarefas em menos tempo e, com a “desculpa” da pandemia, por menos dinheiro.

Hum.

E nesse contexto, é possível produzir qualidade? Dizem os especialistas que não. Um grande e decisivo não. Qualidade demanda revisão, reflexão, reformulação. E aqui eu entendo qualidade como algo de múltiplos e integrados sentidos: de vida, de trabalho, de relações.

Produzir algo com qualidade só pode acontecer, ao meu ver, enquanto processo. Porque quem nos diz da nossa vida, do nosso trabalho e das nossas relações se o que estamos fazendo é de qualidade são os outros (o chefe, os colegas, o mercado, as parcerias) e nós mesmos, numa relação dinâmica e que não é binária (vai além da boa/má qualidade do que é entregue).

Foto por Bich Tran em Pexels.com

O que podemos fazer, então? Sair do emprego, sair do relacionamento, renunciar à vida? Liberdade existe inclusive para, como um processo, aos poucos, olhar para nossa relação recurso/tempo no aqui-agora e ir modificando, movimentando seus modos de produção, produzindo, entregando pequenas novas mudanças e movimentos na direção de onde desejamos ir.

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