Gatilhos mentais e como lidar com eles?

Se você veio até aqui procurando saber como vender mais com gatilhos mentais, eu, como doutora em Psicologia peço, encarecidamente, que não pare de ler esse texto.

Esse enunciado de efeito, na verdade, é em si mesmo, um exemplo de uso de gatilhos mentais que te capturam a atenção. Vale lembrar que o processo cognitivo da atenção acontece por meio da nossa capacidade de selecionar.

Sim, atenção é um ato de escolha. Voluntaria e involuntária desde que abrimos os olhos e nos pegaram nos braços, na sala de parto mesmo. São sons, choros, afetos, luzes, palavras. Tudo como uma tempestade de ruídos que capturam e nos envolvem, são rótulos e estereótipos que nos moldam quem somos.

Tem muita ciência por traz de cada segundo que você passa na frente da sua rede social.

Não é estratégia nova isso. Foi assim que começamos a demarcar a história, a partir de marcos simbólicos que nos dão a sensação de necessidade, familiaridade, existência. No final, gatilhos mentais são elementos simbólicos que nos fazem comer (ronco na barriga, cheiro de comida), dormir (aquela fala l.e.n.t.a e monótona que nos faz cansados), a música frenetica que nos ajuda a limpar a casa e jogar pro alto o marasmo. Marcos simbólicos.

Mas agora isso ganhou proporções maiores que as manchetes de jornais. Todo mundo virou jornaleiro de si mesmo e atrai atenção na rede social dessa maneira. E nos esvaziamos do conteúdo simbólico que inicialmente motivou esses gatilhos. Essa talvez seja a captura, ficamos alienados, perdemos referências e com isso nossa habilidade de selecionar a nosso favor.

Como fazer o contrário, remarcar os gatilhos? Fazendo dieta, ou melhor, reeducação sensorial. Da mesma maneira como treinamos músculos para saltar pneus, levantar halteres, comer direitinho, podemos também nos reeducar a aceitar os gatilhos que reconheçam de fato a nossa dor.

E pra isso, precisamos nos reeducar a descobrir que dor é essa que temos. Do mesmo modo que temos lá nossas lembranças que nos marcam, sofrimentos que queremos esquecer, podemos talvez refazer esse caminho e reconquistar a fome de comida boa, de atividade física com sentido e de consumir produtos que durem mais que seus 15 minutos de modinha.

Os marketeiros são bons, mas vão talvez ter que te entregar mais que janta fria.

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