Sistemas de saúde e o cuidado com a saúde mental

Já parou pra pensar na forma como você pode cuidar da sua saúde mental no seu cotidiano?

Existem muitos jeitos de cuidar da saúde, e cada cultura cria uma forma de entender, lidar e comunicar a questão. Pensando a saúde mental como parte de um sistema mais amplo de saúde, é possível entrever algumas formas de falar do tema.

Quando eu falo de saúde mental, eu falo de experiências que envolvem processos de sofrimento que pode ter também a ver com diagnósticos psiquiátricos, mas também com a produção de bem estar, conexão com a realidade e as pessoas que nos cercam. Pra entender um pouco mais do que estou falando, nesse texto eu tento explicar melhor

Na imagem eu tentei fazer um esquema de como eu tenho visto os sistemas de cuidado em saúde, pelo menos aqui no Brasil, como eu entendo. A ideia é esquemática, eu não entendo que esgote as possibilidades de compreens, mas ajuda a pensar sobre o assunto.

São sistemas que não se contrapõem e, pelo contrário, eles podem se compor como redes de apoio para a saúde mental e se comunicam e ampliam dependendo da nossa condição de vida, local onde mora e acesso à direitos.

Existe o sistema público, e eu coloquei nesse grupo, a RAPS (Rede de Atenção Psicossocial), o C.V.V. (Centro de Valorização da Vida) e o SUAS ( Sistema Único de Assistência Social). Esse último eu coloquei aqui por se compor com sistema público de saúde, embora não faça parte do SUS (Sistema Único de Saúde). Coloquei junto por entender que algumas ações desse sistema contribuam para o cuidado em saúde mental. Esse sistema, pelo menos no Brasil é acessível pra todo mundo. Basta ter o Cartão do SUS. Tem suas regras, seu problemas e suas potencialidades. Vou deixar aqui um links que levam você a conhecer mais sobre esse sistema.

É importante entender que todos nós usamos o SUS, mesmo que não saibamos disso, ou à propaganda seja de que é um sistema ruim ou insuficiente.

Outro sistema é o de convênio de saúde e a rede particular de serviços e profissionais de saúde. É uma rede que nem sempre todos têm acesso, por ser pago pela pessoa e/ou empresa onde ela trabalha. É um sistema que pode ser muito caro, que também tem seus problemas, mas também amplia as possibilidade de cuidado em saúde que muitas vezes não existem pelo SUS, mas não os substitui.

Geralmente é “dominado” pelo jeito de falar da medicina, por meio de diagnósticos e a busca por medicamentos, terapias, que encontra nos problemas de saúde, no discurso da doença, jeitos de acompanhar. Mas também possibilita acesso à tecnologias e métodos de intervenção não englobados pelo SUS.

A Rede de Apoio informal, vamos falar assim, compreende amigos, colegas, familiares, grupos e instituições que não são do estado e que compõem com os outros sistemas de saúde. Essa rede muitas vezes funciona no cotidiano, nos pequenos movimentos do dia a dia, capilaridade do cuidado em saúde. É aquele rolo que descansa a cabeça, ou aquele colega que acompanha no médico ou um grupo que nos faz ter senso de pertencimento.

Tem também seus problemas, mas o grande ponto é o elo de ligação da gente com nossa comunidade, com o território, com os recursos presentes nele.

No meu esquema aqui, nós também compreendemos um sistema de cuidado em saúde mental. Somos o corpo que é físico, social e se liga a todos os outros sistemas em primeira pessoa.

Podemos ter sofrimentos e receber diagnósticos e vivências experiências difíceis ou ter recursos próprios para lidar com a vida e é nessa integração corajosa e resistente que podemos compor a nossa saúde mental.

Achei importante trazer essa questão dos sistemas de cuidado em saúde mental, como um exemplo de cuidado em saúde pra falar dos sistemas de crenças que temos que organizam, legitimam e permitem a gente agir diante da vida. De maneira complexa e também construída ao longo do tempo, das culturas e dos recursos presentes numa determinada localidade produzimos aquilo que chamamos de Saúde.

É nesse sistema de crenças que muitas vezes ficamos presos, achamos poucos recursos quando diminuímos nossa experiência a rótulos ou diagnósticos, ou terceirizamos o cuidado sobre nós mesmos a outros. Acredito, e não estou sozinha nessa compreensão, que somos pessoas conectadas a mundos mais amplos que circunscrevem sim nossa capacidade de agir, mas não a limitam.

Se nosso trabalho conosco conosco for com o outro for no sentido de buscar conectar sistemas, elementos dos sistemas de saúde somos mais capazes de produzir saúde, ampliando nossa capacidade de agir diante da realidade que se apresenta. Em primeira pessoa e também de maneira coletiva.

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