A clínica de Psicologia e as modalidades de intervenção

Quando eu penso em clínica no campo da Psicologia eu penso na experiência de troca com a pessoa atendida. Uma troca em que nos debruçamos sobre temas compreensões atravessados pelas teorias psicológicas por um lado e por outro, narrativas, descrições, sentimentos, comportamentos compreendidos em primeira pessoa de maneira única.

Quando falávamos da clínica na faculdade a imagem que me vinha eram móveis sólidos em uma sala, a pessoa vestida de maneira formal a escutar uma outra pessoa se debulhando em lágrimas.

Pode ser. Mas na minha realidade, percebi que ela vai além.

É um olhar, um óculos que colocamos para enxergar com o outro a realidade. E fazemos isso usando lentes diversas. Cada abordagem da Psicologia no campo clínico é uma lente que usamos nesse encontro. Há abordagens que contradizem as as outras, outras se compõem, outras atualizam.

O debruçar-se clínico atravessa as abordagens. Entra nos modos de trabalho que são construídos a partir das formas de vida das pessoas atendidas.

Há quem vem pra uma conversa rápida, quase uma visita mágica capaz de revelar segredos e curar instantaneamente os males. Outras pessoas se demoram ou entram aos poucos, falam em querem ser escutados, acompanhados, uns trazem o corpo para os cuidados outros o corpo é que traz para acompanhamento.

As linguagens nesses encontros também mudam. Umas mais teóricas, mais diretas, metafóricas. Há intervenções individuais, mas é possível clinicar em grupo. Com um psicólogo coordenador ou mais de um. Há a clínica nas instituições públicas e privadas. As declaradas, renomadas, conveniadas e as livres, das praças e das frentes de luta política.

E tem o contrato. Um acordo que envolve pagamento, mas também a estrutura da conversa, as negociações e as promessas de cada um dos envolvidos.

Tudo isso é clínica. E o velho roteiro da faculdade é isso. Nos estágios a gente aprende várias modalidades de intervenção, então porque não aplica-se o que aprendeu? Por que não explica pro paciente/cliente essas modalidades, esses jeitos de funcionar da clínica, as limitações e as potencialidades?

Se você gosta de uma abordagem, estude ela com profundidade, entenda suas origens, potencialidade e limitações. Não acredite em tudo que supervisor diz. Vai lá, lê, testa, reflita criticamente.

Psicoterapia não é pra todo mundo. Mas se você gosta de clínica, você não precisa oferecer só psicoterapia!

%d blogueiros gostam disto: