Estilo parental e práticas educativas: panorama geral

As práticas educativas parentais são as estratégias utilizadas pelos pais para socializar, controlar ou desenvolver valores e atitudes em seu filho e o seu conjunto é denominado estilo parental. As mudanças nas relações entre pais e filhos decorrentes das transformações pelas quais a família vem passando têm levado a um crescente questionamento sobre o papel dos pais na educação de seus filhos. Também no universo acadêmico é grande o número de trabalhos voltados a esclarecer qual a melhor maneira de educar os filhos e quais seriam as conseqüências das práticas adotadas sobre as crianças.

Existe, porém, um paradoxo: paralelamente à grande gama de trabalhos acadêmicos referentes a estilo parental e práticas educativas, é igualmente expressiva a desorientação dos pais. Este trabalho é parte de um projeto mais amplo cujo objetivo é a sistematização do conhecimento produzido de modo a configurar um panorama sobre o conhecimento produzido sobre o tema na área de Psicologia. Realizou-se uma busca dos artigos nos principais bancos de dados (SciELO, Science Direct, PsycINFO e Web of Science) com os descritores, “parenting style” e “parenting practices” (estilo parental e práticas educativas) pertencentes ao ano de 2009. Os dados foram tabulados e foi traçado um panorama descritivo global sobre o assunto.

Através deste procedimento foram recuperados 563 registros, mais de 90% do banco de dados da Science Direct. Os países que mais publicaram foram: Estados Unidos com 55%, Canadá (7,6%), Reino Unido (6,5%), Austrália (5,6%) e Holanda (4,7%). Destes trabalhos, 28,9% artigos focalizaram práticas adotadas em instituições que não a familiar e 45,8% incluíam as práticas parentais de forma secundária, em função de objetos de estudo específicos. Apenas 25% focalizavam diretamente o estudo das práticas e estilos parentais em termos de seus efeitos e do que os influencia. Nesse conjunto, diferentes faixas etárias estavam em questão: adolescentes em 43%, crianças entre 2 e 12 anos em 34%, bebês com até 2 anos em 7%, e 16% inespecíficos.

O grande volume de trabalho no contexto norte americano é compreensível, entre outros, na perspectiva da continuidade do grande interesse despertado na linha criada por Baumrind (1966), que impulsionou o estudo dos estilos parentais ao integrar tanto os aspectos comportamentais quanto os afetivos envolvidos na criação dos filhos, e posteriormente desenvolvida por Maccoby e Martin (1983) que propuseram um modelo teórico de estilos parentais trazendo novamente à cena a ideia de duas dimensões fundamentais nas práticas educativas dos pais. O grande volume de trabalhos que incluem as práticas e estilos parentais como aspecto atrelado ao objeto principal de estudo é expressivo do interesse que a temática desperta no meio científico. E, finalmente, no que diz respeito à faixa etária focalizada, destaca-se o interesse com que a adolescência é focalizada, coincidindo com dificuldades encontradas pelos pais para lidarem com os filhos nesta etapa da vida.

Esta investigação foi financiada por bolsa da CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. Entidade do Governo Brasileiro voltada para a formação de recursos humanos. http://www.capes.gov.br/