Sofrimento Psíquico ou Doença Mental?

Sofrimento Psíquico é uma expressão que utilizamos para falar daquelas angústias e jeitos de lidar com a realidade que nos deixa confusos e muitas vezes com a sensação de que estamos feridos, magoados, machucados.

Nem sempre o sofrimento psíquico é aparente, pode se manifestar por sentimentos sem nome de desconforto diante de determinadas situações, ou por meio de pensamentos de não aceitação de uma realidade vivida, de que estamos à beira da loucura ou de que estamos mesmo ficando loucos.

O sofrimento psíquico também pode ser percebido a partir de comportamentos que temos que soam a quem vê de fora como desorganizados, orientados para machucar a nós mesmos e aos outros. Podem ser, inclusive, justificados de alguma forma, serem uma reação a algo que sentimos como agressão.

Esses comportamentos mostram claramente que não estamos bem diante de uma determinada situação ou momento de vida.

Por vezes o sofrimento psíquico passa despercebido e anos passam e não nos vemos desenvolver, crescer, melhorar. Por vezes o sofrimento explode em crises que geram a busca por ajuda. Nessa busca é comum que profissionais da saúde nomeiem esse sofrimento por meio de diagnósticos psiquiátricos.

Antigamente, a desorganização mental e do comportamento era chamados de doença mental de maneira indiscriminada, como algo adquirido ou hereditário e reversível ou não, a ciência médica criou métodos de identificar e classificar esses comportamentos por meio de diagnósticos.

Ao longo do tempo e de pesquisas se percebeu que existem várias formas de tratamento dos chamados transtornos mentais. Antigamente as pessoas com transtornos mentais eram levadas para tratamentos sendo isoladas da família e de pessoas de seu convívio. Esse método não vem se mostrando o mais eficaz no tratamento de transtornos. A evolução na farmacologia vem auxiliando cada vez mais pessoas em sofrimento a terem controle sobre a própria vida, diminuindo a incidência e a intensidade de crises. Outros avanços também auxiliam nesse processo como as psicoterapias, as terapias ocupacionais e as estratégias de reabilitação psicossocial que melhoram habilidades de socialização e de autonomia de pessoas com diagnósticos de transtornos mentais.

Ainda hoje em dia há muita confusão sobre os termos sofrimento psíquico e adoecimento mental. Ainda nos afastamos dos rótulos que diagnósticos psiquiátricos representam e muitas vezes não procuramos ajuda quando estamos sofrendo por medo de sermos identificados como loucos, sermos discriminados e perdermos nossa autonomia.

Essa crença embora errônea mais afasta pessoas do tratamento que ajuda. Nem sempre que estamos sofrendo preenchemos critérios para doenças mentais. Às vezes muito do sofrimento vem da desorientação e o não cuidado com isso é que pode levar ao adoecimento mental.

Referências Bibliográficas

Vieira, F. S. Consumo de drogas entre pessoas em sofrimento psíquico: sentidos, significados e percursos / Fernanda de Sousa Vieira; Orientadora: Clarissa Mendonça Corradi-Webster. – Ribeirão Preto, 2016.

Aragaki, S. S. (2006). O aprisionamento de selves em diagnósticos na área de Saúde Mental. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Dalmolin, B. M. (2006). Esperança Equilibrista: Cartografias de sujeitos em sofrimento psíquico. Rio de Janeiro: Fiocruz.