A culpa (é) da família

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Em quase todos os textos que eu li sobre esse tema, eles começam dizendo da culpa relacionada à religião, mas não é sobre isso que eu vim falar aqui hoje.

Eu vim falar da culpa nossa de cada dia. Falo hoje do sentimento que surge quando a gente acha que deveria fazer alguma coisa e não fez. Ou do sentimento que surge em resposta a reação de pessoas próximas por quem temos bons afetos e que dizem pra gente que deveríamos ter feito algo e não fizemos. Essas duas situações podem ser face da mesma moeda, e respostas a expectativas nossas e de quem nos cerca.

Pois a culpa esconde alguns outros sentimentos que se confundem com ela e esclarecer pode ser interessante até pra nos livrarmos do peso desnecessário.

Culpa pode esconder o sentimento triunfo de ter transgredido regras. Como por exemplo, o menino que brinca tanto que quebra alguma coisa na casa e é chamado atenção por isso. E sentimentos se misturam. Estava gostoso brincar, mas não é gostoso quebrar algo e deixar a mãe brava. O menino sente culpa.

Sentimos culpa por sentimentos negativos que temos em relação a algumas situações ou comportamentos de algumas pessoas, engolimos seco pra não magoar e dizer que nos incomodamos e sentimos culpa por não ter conseguido evitar que isso se repetisse.

A vida segue e crescemos, o menino cresce e é muito comum engolir a culpa com comida, bebida, compras, experiências compensatórias. Mas nada de pensar na culpa, no máximo pedimos DESCULPA, pros outros e pra gente. Mas não nos responsabilizamos em sentir a culpa ou evitar algo que vai nos trazer certamente o sentimento de culpa.

Papo pesado. É, mas aí a gente ensina os filhos a pedir desculpa e a sentir culpa, e nos sentimos culpados em não fazer mais que isso, ao invés de nos responsabilizarmos e ensinar nossos filhos a se responsabilizarem e sentirem menos culpa em não corresponder a suas expectativas, dos pais e deles menos… de repente, isso pode ter como consequência lidar melhor com frustrações… de repente.

Texto retirado do podcast de minha autoria, Para e Pensa

Ensinando a inteligência artificial de mecanismos de busca a cuidar da sua saúde psíquica

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Muito se fala da inteligência artificial como ferramenta para tornar a vida mais prática. São aplicativos, buscadores, programas de comando de voz disponíveis ao toque do dedo. Essas ferramentas de fato facilitam achar tudo! Um questionamento que se faz hoje é se vamos ficando preguiçosos. Com certeza deixamos de nos esforçar para lembrar números de telefone, nomes de contatos profissionais (e até pessoais!). Mas qual impacto disso na nossa vida psíquica?
O aspecto que quero ressaltar é sobre potenciais benefícios que o uso de inteligências artificiais pode promover em nossa saúde psíquica.
Você já pensou em como pode ensinar a inteligência artificial do seu buscador? Como assim? Suas buscas diárias em seu navegador e nas redes sociais oferece uma infinidade de dados sobre você e essas informações muitas vezes são utilizadas para lhe oferecer produtos e serviços especializados. Você já se deu conta disso? Ok, e qual a relação disso com a sua saúde psíquica?
Você provavelmente está lendo esse texto porque procurou sobre saúde mental, saúde psíquica, depressao, ansiedade. Ou se interessa sobre inteligências artificiais. Algumas buscas que você realizou trouxe resultados como problemas de relacionamentos, transtornos mentais, modos de lidar com o estresse, evitar a ansiedade nossa de cada dia.
Proponho a você a pensar em como as inteligências artificiais de buscadores aprendem. Elas seguem seu padrão de busca. Se você digita depressao, vc vai ver vários resultados relacionados ao diagnóstico, medicações, profissionais que tratam e talvez algumas dicas para lidar você mesmo com sentimentos de tristeza que sequer são depressao.
Isso porque nós tendemos a digitar nossos problemas e a procurar soluções pra tudo na internet. Essa forma de pensar só ensina seu buscador a encontrar problemas relacionados à sua busca.
Uma forma diferente de sair do modelo doença pode ser ensinar a inteligência artificial do buscador a procurar resultados otimistas, dicas práticas e úteis para lidar com as emoções. E aqui vai a dica: você pode fazer isso simplesmente mudando seu jeito de fazer perguntas ao buscador. Ao invés de digitar depressao, podemos digitar algo como “como ser menos triste”, como encontrar a alegria de viver. Voce verá que os resultados serão diferentes da primeira busca. E se você parar para pensar, você vai estimular a inteligência artificial do seu buscador a te ajudar a achar resultados mais condizentes com a uma pesquisa sobre saúde psíquica mais otimista e foçada em soluções.
Parece besta. Mas a sacada é que somos condicionados a pensar em problemas e não em soluções para os problemas. Nossa “inteligência natural” por assim dizer, pode aprender com a inteligência artificial. As empresas de buscadores e de redes sociais, atentas as tendências atuais ligadas ao aumento do suicídio já dão uma ajudinha nesse sentido: Um exemplo é quando você digita suicídio e rapidamente percebe que os primeiros resultados são de modos de pedir ajuda quando se pensa em suicídio.
As empresas desenvolvedoras dos mecanismos de busca por inteligência artificial já estão programando estratégias desse tipo, como é o caso do Google e do Facebook. Mas você pode fazer isso e ajudar a si mesmo a encontrar resultados mais apropriados ao que busca e ser o próprio coach e treinador do seu mecanismo de busca..
Faça esse teste. Tente varias vezes reformular suas buscas em relação à saúde mental de maneira mais otimista. Um resultado colateral a isso pode ser você ensinar sua “inteligência natural” a ser mais criativa e a fazer novas escolhas de vida.
Nossa vida está tão intrincada com a internet das coisas que já não concebemos a vida sem ela, então porque não usar isso a nosso favor?

Por que não procuramos psicologos?

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woman holding gray ceramic mug
Foto por bruce mars em Pexels.com

Para escrever esse artigo sobre o porque não procuramos psicólogos quando precisamos de um vou sair momentaneamente do papel de psicóloga e entrar no papel (que também vivo) de paciente/cliente de um psicólogo (a). Sim, também nós psicólogos vivemos esse papel, pois também somos pessoas e também nós encontramos muitas vezes dificuldades em cuidar dos nossos sentimentos e comportamentos.
Nem sempre sentimos que estamos sofrendo tanto assim
Isso pode acontecer mesmo quando vários de nossos amigos e parentes percebem que poderia ser de grande ajuda ter um profissional que nos ajude e acompanhe a cuidar de nós mesmos. Mas mesmo que seu sofrimento pareça menor que o de outras pessoas que você conhece, ou sua história de vida não tenha sido tão dramática, não podemos subestimar nossos sofrimentos. Às vezes precisamos de ajuda para tomar decisões, às vezes precisamos de um ouvido que mais que nos escute, nos ajude a nos escutar. Talvez seus amigos estejam dando a melhor ajuda que podem oferecer quando sugerem que procure um profissional.

Psicólogo não é para mim
Ás vezes, achamos que Psicólogos cuidam de loucos ou de não tão loucos, seja porque achamos que não estamos precisando tanto assim como também que precisamos de algo “mais forte”! Essa imagem da Psicologia e dos Psicólogos é um mito. Eu mesma, antes de fazer o curso de Psicologia tinha pouca informação sobre o que um Psicólogo clínico fazia. Ele só conversa? Ele vai me julgar? Ele é facilmente substituível por amigos, que têm a vantagem de ser “grátis”? Ele não vai te entender porque só você sabe o que passou? Outras atividades podem substituir a psicoterapia?
Essas imagens correntes em conversas cotidianas nem sempre retratam com fidedignidade o trabalho de um Psicólogo Clínico. A função de um Psicólogo é ajudá-lo, acompanhá-lo, orientá-lo em seu desenvolvimento psicológico, na promoção de melhora na sua saúde psíquica, no tratamento de transtornos psicológicos e psiquiátricos. Para isso, ele estudou sobre várias áreas da Psicologia, provavelmente fez pós-graduações, investiu em psicoterapia pessoal, trabalha com base na Psicologia como Ciência e obedece e segue um código de ética regulamentado para poder atende-lo.
Outras atividades podem ser também terapêuticas, mas a finalidade da psicoterapia é procurar não só o alívio do sofrimento, mas também recursos para que você cuide de si mesmo e lide melhor com seu cotidiano.
Ou seja, um Psicólogo Clínico é um profissional que se ocupa do estudo da saúde emocional, seja porque você está em sofrimento psíquico que tem por base um transtorno, um momento difícil, um período de reorganização da vida ou uma vontade grande de melhorar algum aspecto da sua vida, SIM, UM PSICÓLOGO É PARA VOCÊ SIM!
Mas eu tomo medicação

Uma questão que interfere na procura por ajuda é a crença que o tratamento psicoterápico pode ser substituído pela medicação psiquiátrica. Estudos vêm mostrando que o uso da medicação para problemas psíquicos têm melhores resultados quando associados à psicoterapia e ao apoio psicossocial. Essas medicações, como toda medicação precisa de acompanhamento, e atuam em aspectos biológicos do funcionamento psicológico. Um psicólogo não pode prescrever medicações, mas trabalha em conjunto com psiquiatras e outros médicos para associar tratamentos e intervenções.
Ou seja, de maneira complementar, o acompanhamento com Psicólogos podem ajuda-lo na aquisição de novas ferramentas para cuidar de si mesmo, na reflexão sobre aspectos disfuncionais da sua vida na mudança de hábitos e padrões de comportamento. Um psicólogo não é capaz de curá-lo, mas ajudá-lo no processo de recuperação e melhora do sofrimento.

Psicoterapia é muito caro
O preço de uma sessão de psicoterapia pode inicialmente assustar, ainda mais quando é recomendado uma sessão semanal, ou até mais sessões. No entanto, gostaria de perguntar para você: Quanto você gasta com você mesmo quando está sofrendo? Quantas vezes você compra coisas por impulso só para sentir-se melhor? Qual o custo do seu sofrimento e que relação você consegue fazer com a sua vida financeira?
Há psicólogos que cobram preços que talvez não caibam no seu orçamento, mas nem todos são assim! Entre os psicólogos que conheço, negociam valores e é possível que você encontre alternativas para ter acesso ao acompanhamento de psicólogos, como clínicas sociais, clínicas-escola, instituições públicas…
O acompanhamento com o psicólogo não é necessariamente pela vida toda. Às vezes esse acompanhamento pode ser breve, às vezes pode demorar alguns anos, você quem escolhe. Alem disso, ele não deve ser pensado como um gasto, mas como um investimento, que pode fazer parte do seu planejamento financeiro.

O importante é cuidar da sua saúde psíquica e um psicólogo pode ser uma das possibilidades de ajuda que você pode encontrar e lançar mão para cuidar melhor de si mesmo!

Coaching e saúde psíquica: trabalhar junto com outros profissionais?

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O processo de coaching baseia-se na mudança de estado na atualidade para outro estado desejado, em que recursos são potencializados. Nesse caminho, é comum o encontro com emoções, sentimentos e comportamentos conflitivos, negativos e de exacerbação / idealização das possibilidades de vida.

Assim, é possível esbarrarmos também com histórias reais de sofrimento psíquico e tentativas de lidar com ele de forma pouco adaptativa ou saudável, pensando a longo prazo. É possível que coaches se esbarrem em conjuntos de comportamentos que recebem diagnósticos de transtornos mentais, ora sendo parte de um longo histórico de vida com sofrimento psíquico do coachee, ora sendo parte de sua personalidade, ora sendo um  episódio isolado de crise psíquica.

Nesses momentos, um olhar atento especializado pode ser necessário. Cada vez mais, estudos vem discutindo a necessidade de abordagens multiprofissionais e transdisciplinares no cuidado com a saúde psíquica. Profissionais de saúde como psiquiatrias, psicólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, enfermeiros podem ser importantes para otimizar o atendimento ao coachee.

O coach pode ser a pessoa que serve como elo de ligação entre seu coachee e outros profissioais quando o sofrimento e a falta de recursos para lidar com ele tomam conta da rotina e da sessão de coaching, impedindo o processo de mudança.

Suicídio: uma conversa que não quer calar

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A ideia de tirar a própria vida pode ser uma comunicação de tirar, de uma maneira extrema, sofrimentos muito intensos. Nesse sentido, é uma conversa que não pode ser ignorada.

Ao contrário, dar valor a essa fala de maneira aentender e despertar jeitos alternativos para lidar com o sofrimento pode abrir portas para entendermos (nós mesmos e a pessoa que expressa essa vontade) e encontrarmos formas de ajuda e de ressignificação do sofrimento psíquico.

Isso é tão importante que tornou-se assunto de saúde pública. Ao ponto de ser uma pauta do Ministério da Saúde Brasileiro e fazer parte de um conjunto de indicadores de saúde, especificamente o da saúde psíquica. Também há iniciativas da sociedade civil para lidar com essa questão, como por exemplo o Centro de Valorização da Vida (CVV), em que pessoas treinadas podem prestar ajuda em relação à prevenção do suicídio.

Essa ajuda do CVV é gratuita e disponível a qualquer hora do dia ou da noite. Há vários canais de contato, seja pelo site www.cvv.org.br, seja pelo telefone 188. 

Além dessa ajuda, a identificação e ativação de redes de apoio podem auxiliar a pessoa, no curto prazo, a lidar com a ideação suicida e a prevenção de tentativas de suicídio.  As redes de apoio podem ser familiares, amigos, parcerias amorosas, profissionais de saúde, serviços de saúde, lideranças religiosas. O foco dessas redes é oferecer situações e ambientes de confiança onde a pessoa possa se expressar e ser acolhida. A conversa sobre o suicídio nessas redes precisa passar pelo entendimento de que não é “frescura”, não é “tentativa de chamar a atenção”, não é “piti”, e não é verdade que “quem quer se matar, não avisa, faz”. Ao contrário, é uma manifestação de sofrimento que deve ser levada em conta com seriedade e auxílio de profissionais de saúde e pode ser prevenida.

No longo prazo, tanto para a prevenção como para o cuidado após a tentativa de suicídio, essas redes precisam manter seu funcionamento e estender sua ação no dia a dia da pessoa. Isso para estender oc uidado, acolhimento e reflexão de outras maneiras de lidar com o sofrimento. Para isso, é importante o acompanhamento junto a profissionais de saúde que orientem a rede de apoio, bem como apoiem e acolham a pessoa em sofrimento.

Mais informações acesse o site: https://www.cvv.org.br/links-uteis/

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