Somos todos imaturos

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Você se acha uma pessoa madura? E em família, você se considera uma pessoa madura? Devo dizer que somos todos imaturos. E não estou falando que maturidade se associe a ter sangue de barata ou ser sempre o da turma do “deixa disso”, evitando discussões. Também não estou falando de um estado de plenitude, que dura pra sempre, que não varia de assunto pra assunto, nem de relação pra relação. Na verdade é todo o contrário disso!

É provável que você se porte de maneira considerada madura em situações de menor intimidade, de menos confronto e menor história compartilhada. Mas em família, somos praticamente outras pessoas, talvez pela intimidade, pelo conforto, pelas nossas relações.

Mas falando de maneira simplificada, maturidade estaria ligada à prontidão para alguma coisa, seja uma prontidão física, como falar, andar, seja prontidão para ter alguns comportamentos, como por exemplo uma criança ser capaz de controlar seu choro, ou psicológica, que pode ser a habilidade de analisar situações e responder a elas de maneira considerada adequada.

Complementando isso, algumas teorias consideram que construímos nossas relações na nossa maneira de conversar e somos construídos por elas. Assim, portar-se de maneira madura não seria um estado de espírito, não é algo perene, mas dependeria de quem está envolvido, das situações, das compreensões sobre o que se entende como maduro.

Outras teorias da Psicologia falam que o desenvolvimento da maturidade emocional estaria ligado a ambientes seguros ditos suficientemente bons que nos permitiriam sermos atendidos nas nossas necessidades, mas também sermos frustrados. Isso permitiria a nós responder as situações com autenticidade e criatividade.

Por exemplo, a habilidade de se colocar no lugar do outro seja do tio, do primo, do filho, do pai, do irmão e perceber que existem diferentes modos de pensar sobre as situações, respeitar as próprias opiniões e conviver no meio de tudo isso.

E por conviver eu quero dizer ás vezes se calar, conversar, discutir, ás vezes nos impor, se afastar, se explicar.

Pra falar fácil, que é nosso jeito de conversar aqui, a maturidade estaria ligada à flexibilidade. Está no “ás vezes”. Agir às vezes assim, às vezes assado. Selecionar quando e como reagir. Quando se calar, quando conversar, quando se impor, quando se afastar. Quando acolher e quando relevar.

Assim, Maturidade comumente mais parece tema ligado á idade. Mais velho, mais maduro. Ao menos, espera-se. Mas não é assim não!

Nessa questão, a gente esbarra em algumas palavras relacionadas a maturidade. Responsabilidade, por exemplo, mas essas palavras não se confundem. Não é porque somos responsáveis, atendemos às expectativas dos papéis que desempenhamos que somos necessariamente maduros. Por exemplo, somos capazes de ser pais, mas nem sempre somos capazes de sermos bons pais, suportar sermos frustrados no que nossos filhos nos desafiam. Somos capazes de morar sozinhos, mas não somos capazes de nos cuidar com autonomia, necessitando sempre que alguém nos diga como fazer alguma coisa.

Tem outra palavra que sempre é associada a maturidade, moral. Eh, geralmente só quem é considerado maduro tem moral pra falar da vida dos outros… hum… Isso é moralismo, maturidade mesmo estaria mais ligada a respeitar o momento do outro, na verdade do outro. Mesmo que esse outro te afronte, te diga coisas descabidas e sem sentido. Esse outro que afronta está de fato falando com você? E aí maturidade é sair de fininho e deixar o outro falando sozinho, porque de fato ele não está falando com você.

Maturidade também tem sido relacionada com a palavra coerência… numa ideia de que ser maduro é ser coerente o tempo todo. Então… não, ser humano por definição só tenta ser coerente… não dá pra ser coerente o tempo todo! E aceitar isso pode sim ser sinal de maturidade… pensa nisso.

Em família á vezes ser maduro é rir da situação, deixar de achar que comentários são ataques pessoais, é pedir desculpa, é relaxar e contar piada. É trocar de assunto.

Pessoal, já deu pra notar que o tema da maturidade é difícil e portar-se de forma madura no ambiente familiar é desafiante. Se a família é o espaço de proporcionar desenvolvimento emocional para seus membros, pra nós todos, vale a pena investir nessa questão. A terapia, a reflexão e o autoconhecimento são as melhores ferramentas pra gente procurar diminuir a nossa imaturidade e aceitar a imaturidade do outro.

Texto retirado do podcast de minha autoria, Para e Pensa

Perspectivas, pontos de vista e outros modos de pensar

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E vamos falar hj sobre perspectiva dos outros.

E pra começar é necessário dizer que não existimos sozinhos. Parece óbvio, mas não é e quando a gente descobre isso, descobre também que esse tal de outro enxerga o mundo de maneira própria. E fala desse mundo também de maneira própria.

Em uma conversa, cada um expõe o que pensa e responde ao mundo como pensa ele. E o outro faz a mesma coisa.

Exemplo? Jogo de futebol. Agora tem até câmera opinando no jogo de futebol. Outro exemplo, a lei e suas interpretações, a poesia, a religião, a música… política… prova de matemática…

é, prova de matemática. Alguém aqui já discutiu c professor por acertar alguma questão tendo feito o desenvolvimento do raciocínio de maneira diferente do que o professor esperava? Isso acontecia direto comigo.

E esse é o tom da nossa conversa hj. Vc pode ter acertado no chute. O coleguinha acertou pq aplicou a fórmula mágica do Kibon e o professor esperava cálculos elaborados que você não fez.

É a mesma situação que acontece nas tretas de família por perspectivas diferentes. Todo mundo tem clareza que quer um mundo melhor pro mundo. Mas os caminhos pra falar disso divergem. Simples assim, só que tem sempre um que quer que seu modo de fazer o mundo melhor seja acolhido, acordado e seguido pelo outro.

E eu vou dizer… difícil… Como se criassem línguas distintas e não se entendem. Aí entra sempre um na conversa pra lembrar que são pontos de vista diferentes.

É, mas não é isso que está em jogo. O que está em jogo é entrar em contato com o mundo do outro. Isso é divertido, é intrigante e é irritante. E relacionar-se é entrar em contato, atrito e ser afetado pelo outro. Não é nem pessoal, nem pelo estar certo ou errado. Mas estar em contato com um outro que se importa e se afeta com a gente. E família tem o dom de trazer sentimentos como esses á tona! Quem nunca saiu de grupo, fez textão, postou indiretinha? Nem é pelo outro também é pra extravasar aquele sentimento de ser afetado. Porque a gente espera que alguém ligue, espera que alguém comente e nos faça voltar á razão…

Dito isso, quais as consequências dessa forma de levar as tretas em família por causa de perspectivas diferentes? A gente pode se afetar menos com coisas mental s necessárias e de repente descobrir que o primo quietão também tem uns argumentos bons pra contra argumentar nosso ponto de vista. A gente pode levar menos a sério e mudar de assunto, a gente pode deixar de lado a impressão de que a opinião do outro é provocação… a gente pode só trocar ideias.

Aprender coisas novas, contar pro professor de matemática que inventou um jeito diferente de acertar a questão que eu juro por Deus que não foi cola, não foi chute, foi o mais puro exercício de parar, pensar e ter um jeito próprio de resolver o problema!

Eu devia usar esse raciocínio para pagar os remetentes dos meus boletos, argumentar que deveriam pelo menos me dar um desconto por pagá-los em dia… mas eles, na perspectiva deles, não deixariam de chegar… e da mesma maneira não acho que seria possível que a gente se afete menos quando o outro expõe seu próprio mundo com suas próprias palavras… ou se indigne com o nosso jeito de pensar… é no final um se importando com o outro, se encontrando, se comunicando.

Texto retirado do podcast de minha autoria, Para e Pensa

Vai ficar tudo bem!

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E eu quero começar dizendo que vamos todos ficar bem! Sim. Vai dar tudo certo!

Esse é o tema dessa semana.

E eu gostaria de perguntar se esse é um mantra seu quando você dá conselhos? Mesmo quando você fala consigo mesma, procurando em você alguma motivação para enfrentar algo difícil?

Às vezes, quando é a terceira ou quarta vez que você fala do assunto, sobra uma torcida de nariz e algum comentário sobre a desimportância do seu desabafo. Algo como “Isso é frescura!” ou “Ah, não dá bola pra isso não!”

E falamos assim com as crianças birrentas que nos cercam, às vezes com as que não são birrentas, com as vovós, com as primas, as irmãs, os pais… é aí vira mantra, vira palavra-chave. Algo que a gente fala sem prestar muita atenção no que quer dizer.

Vamos pensar nas consequências disso? Para e pensa comigo.

Quando a gente fala “vai dar tudo certo” apostamos, não é certeza. e ás vezes falamos só pra falar mesmo, sem muita convicção ou interesse no assunto conversado. E é aí que encontramos alguns silenciamentos das conversas. Alguns, depois de ouvir tanto que vai dar tudo certo desistem de conversar sobre temas importantes. Afinal, se vai ficar tudo bem, pra que esquentar a cabeça, não é mesmo? E ás vezes, ás vezes esses silenciamentos são dos sentimentos, de situações de sofrimentos, de violência… e o que parece um simples comentário fica mais como um tapa-buracos.

Em crianças, quando a gente não dá ouvidos, elas aprendem a desimportância de expressarem em linguagem falada e elaborar seus sentimentos. Elas crescem tornam-se adultos como nós e vão fazendo como a gente faz ás vezes, deixa pra lá. E tira a importância dos nossos próprios sentimentos. E eles podem vir a ser um problema pra vocês.

Mas como eu disse no começo da nossa conversa de hoje, vai ficar tudo bem. E sabe por quê? Porque a gente vai fazer ficar tudo bem! Olha que interessante! É só um jeito diferente de ouvir os conselhos de “esquenta não, vai ficar tudo bem!” Junto com esse comentário, a gente pode ouvir um encorajamento para tentar achar um meio de pensar junto como sair de uma situaçãofrustrante, difícil, de sofrimento. O truque é o interesse e a pergunta que pode vir antes ou depois desse comentário.

A pergunta genuína sobre o que está se passando, a vontade genuína de entender a perspectiva do outro, o descobrimento genuíno sobre caminhos possíveis da solução. E isso é possível ser feito seja com o filho, com o sobrinho, com o tio, com a mãe… O mesmo comentário, atitudes diferentes!

E isso é possível ser feito seja com o filho, com o sobrinho, com o tio, com a mãe… O mesmo comentário, atitudes diferentes! Estar tudo bem, também não precisa ser tuuudo bem, ás vezes é só aquilo tudo que você consegue dar conta.

Entre Famílias e Redes de Apoio

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Redes de Apoio.

O que é isso? Eu vou explicar fazendo uma comparação com redes do nosso cotidiano.

Para e pensa comigo!

Sabe rede? Que tem linhas e nós e que se ligam um ao outro? Que são tecidas pelos pescadores, ou rede de pendurar na varanda, a própria internet é uma rede que conecta pessoas.

Então, do meu ponto de vista e para e penso: todas elas podem servir como ferramenta e também pra descansar…

Se a gente olhar e a gente vai ver que ela pode ser feita de diferentes tecidos, linhas barbantes, são maleáveis, mas que de uma maneira ou de outra, oferecem algum grau de firmeza, segurança, sustentação, um certo toque de beleza. Uma rede bem rendada é bonita de se ver!

Nossa rede de apoio serve da mesma maneira. como ferramenta e descanso. Oferecem recursos Para a gente lidar no nosso dia a dia. Oferece abraço estamos cansados. Tem conexões e tem buracos.

Hoje o tema é rede de apoio porque é uma palavra que está muito ligada com a ideia de família. Mas não tem o mesmo significado. Esses tempos eu estava falando com uma pessoa que ao mesmo tempo em que descrevia sua rede de apoio. Começou pelos pais, parentes, amigos, conhecidos. Ela descartava algumas pessoas, por não ter boa relação com elas.

Eu gosto muito de pensar em ferramenta que oferece recurso e descanso para pensar rede. Sem pensar muito, nem todas as pessoas que convivemos são nós firmes na nossa rede. Ou fazem parte dela. E Nem todos os nós da nossa rede são perfeitamente amarrados entre si. Alguns são mais centrais, outros mais distantes, da mesma maneira, algumas pessoas de nossa rede de apoio são mais próximas, mais flexíveis, mais abertas para acolher a gente enquanto outras são mais distantes, rígidas, nos acolhem com restrições.

Eu vou dar um exemplo de um trabalho que venho desenvolvendo. O Gestando famílias. Um curso para Gestantes e seus Familiares.

A ideia do curso é repensar redes de apoio da família que está sendo gestada. algumas pessoas torcem o nariz para algumas ajudas de mães, sogras, pais, irmãos, por considerarem sufocantes. ficam chateados de não poderem contar com alguns amigos, ou não conseguirem encontrar como antes da gestação porque o ritmo e a rotina mudaram. Essas mesmas pessoas mas aceitam presentes, conversas casuais, um agrado pro bebê, um conselho. a conta e se rompe, do mesmo modo que um buraco muito grande na rede também não sustenta ninguém. E isso que é interessante de pensar na nossa rede de apoio. Nesse costurar de relações que a gente faz no dia a dia a gente se fortalece e fortalece a nossa rede. Você já pensou nisso? Já parou pra pensar na sua rede de apoio? Quem faz parte dela? Quem não faz?

que a gente faz no dia a dia a gente se fortalece e fortalece a nossa rede. Você já pensou nisso? Já parou pra pensar na sua rede de apoio? Quem faz parte dela? Quem não faz?

Transcrição do texto veiculado no Podcast Para e Pensa no dia 02/10/2019, de autoria de Fernanda de Sousa Vieira

Sobre ser mãe

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Eu não sabia que era tão difícil. Filho não vem com manual, mas tem muita pesquisa na Psicologia ajudando terapeutas, educadores e outros professores a apoiarem pais no processo difícil de criar filhos.

Sendo mãe, desde a gravidez, tudo na vida da gente muda. Nosso corpo, vou dizer é o de menos! Mudamos nossa rotina, nossas escolhas, nossa identidade.

Nosso corpo se transforma.

Por dentro, nosso corpo ele estica, desequilibra, se adapta para caber um serzinho que a gente ama apesar de conhecer só por fotografia.

Por fora é cabelo que fica lindo, volumoso, depois cai. A pele que fica radiante e depois sobram olheiras. Temos fome que nos engordam e leite que damos e nos emagrece. O peito que fica lindo, empinado, cheio de leite e depois que o bebê mama, ele cai! A roupa que cabia e não cabe mais! Manchas de comida e outras “cossitas mas” na roupa limpa que a gente acabou de trocar! MAS, SEMPRE TEM UM MAS… Tem abraço apertado, olhar vidrado e sorriso banguela que completa o look “sou mãe”.

A rotina muda desde a gravidez: o tempo passa devagar e rápido ao mesmo tempo. Durante os meses de enjoo no começo da gravidez a gente sente que isso não vai passar. A barriga parece que não cresce. O sono vem e deixa a gente mole, ás vezes esquecida, chorosa, briguenta… O peso das nossas obrigações vai ficando pesado, do tamanho da barriga. Há, claro, as gentilezas: nas filas, transportes, gente que antes nem olhava passa a olhar para aquele corpo reluzente de mãe. É tanta atenção, tanto carinho!

Nossas escolhas vão mudando também. Antes era lanchinho, cerveja, pão, doce, ketchup, pimenta. Agora tem que comer pra dois. Não em quantidade, mas em qualidade. Nutrir o bebê com alimentos bons e bons sentimentos. Nossas relações mudam. Do marido/parceiro(a)/companheiro(a) até a nossa mãe. Imaginamos o que passam, mudamos de humor e nos sentimos carentes, mudamos de humor e nos sentimos tristes, mudamos de humor e nos sentimos a leoa que nos tornaremos mais pra frente. Acompanhar essa gravidez não é fácil pra ninguém! E as dores, a azia, o sono e a falta dele? E a barriga cresce, e vamos mais ao banheiro, choramos, mudamos de humor. Aquela ida na balada já não aguentamos como antes, aquela subida de escada já parece demais. Pequenas coisas mudam nossa rotina. Pra sempre?

O que mais mudou pra mim foi a identidade. De alguém com nome passei a ser a mãe do mocinho com nome. Antes eu era eu. Hoje sou também eu, mas sou outras coisas mais: sou mais corajosa, sou aquela que deixa de comer a comida quentinha, sou a que dorme quando dá, sou a que trabalha quando dá, a que se procura a todo tempo nas próprias coisas e se acha num olhar do meu bebê que mama. Silenciosamente. Shiii… Dormiu!

E essa é a hora em que a gente pode tomar banho, pode lavar louça, pode dormir, ir no banheiro, namorar, trabalhar.