Filho não vem com manual, e agora?

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Por Cynthia Cassoni

Quantas e quantas vezes escutei isso no consultório! Acabo sempre me preocupando, pois esta pergunta vem acompanhada de risos, mas no fundo não deixa de mostrar o quanto os pais e mães estão angustiados, ou como já me disse uma mãe “desesperada” com o desenvolvimento de seus filhos.

Ele não tem poucos amigos? Ele deveria correr assim? Devo ou não deixar usar o celular? Estas e tantas outras perguntas atormentam os pais. Mas não é difícil compreender de onde vem este questionamento. Quantos pais e mães se vêm em situações inusitadas sem saber como agir, ou melhor, sem saber qual a melhor ou mais adequada forma de lidar com determinada questão. 

Infelizmente, para aqueles pais que gostam de tudo mastigado, não vou responder a estas questões, pois não cabe a mim lhes dizer como devem ou não agir com seus filhos. Mas podemos ficar mais tranquilos, pois não são apenas os pais que se interessam por estas questões. Temos toda uma gama de trabalhos voltados para, senão a melhor forma de educar os filhos, pelo menos as que apresentam maiores benefícios para as crianças. 

Investigando o tema o que percebemos é que as crianças têm mais possibilidades de crescerem de forma saudável quando os pais além de buscar de alguma formacontrolar o comportamento dos filhos, impondo-lhes limites e estabelecendo regrastambém possuem atitudes compreensivas que visam, através do apoio emocional e da comunicação bi-direcional favorecer o desenvolvimento da autonomia e da autoafirmação dos filhos.

Mas como funciona isso na prática? Podemos dividir os pais em quatro grupos, a) aqueles pais que deixam seus filhos fazerem o que querem ser impor limites ou regras e também são poucos compreensivos demostrando pouco apoio (negligentes), b) aqueles que também deixam seus filhos fazerem o que querem, mas diferente do negligente estes pais dão bastante suporte e apoio para os filhos (indulgentes), c) aqueles que exigem bastante dos filhos, colocando limites e regras para as crianças, mas que são pouco compreensivos demostrando pouco apoio (autoritários) e por último d) aqueles pais que exigem bastante dos filhos, colocando limites e regras para as criançase dão bastante suporte e apoio para os filhos (autoritaivos).

Os benefícios para as crianças do estilo parental autoritativo são percebidos de forma mais acentuada que qualquer outro estilo parental independentemente da composição familiar, cultura ou status socioeconômico. 

Não é um manual, mas assim ficou mais fácil, não?

Mais sobre o assunto:

Baumrind, D. (1966). Effects of authoritative parental control on child behavior. Child Development, 37(4), 887-907.

Cassoni, C., & Caldana, R. H. L. (2017). Estilos e Práticas Educativas Parentais: revisão sistemática e crítica da literatura. Novas Edições Acadêmicas.

Maccoby, E., & Martin, J. (1983). Handbook of child psychology: Socialization, personality,and social development. Wiley Ed.: New York.

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