o/A/X psicólog@ e a sexualidadx – um campo diverso e controverso

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A atuação de profissionais psis no campo da sexualidade e suas diversidades

Talvez você tenha assustado com o título deste texto. Nossa! Mal consigo entender o que ele quer dizer! Foi uma tentativa de já no início inserir o tema deste artigo. Sou psicóloga desde 2010, embora desde minha entrada na faculdade, em 2004, eu interessei pelo campo. Nesse tempo venho aprendendo sobre o atendimento da sexualidade no consultório e nas intervenções psis que envolvem a sexualidade e a educação sexual.
A descoberta do campo da sexualidade – educação sexual, psicoeducação sobre sexualidade e as metodologias participativas

Desde o início do curso de psicologia eu tive oportunidade de participar de ligas multidisciplinares e intervenções em estágios curriculares e extra-curriculares. Nesse início, aprendi estratégias de promoção de saúde sexual e reprodutiva por meio de grupos reflexivos e intervenções psicossociais participativas. Questões como iniciação sexual, prevenção da gravidez e DSTs foram as principais ações que fiz em escolas.
Nessa época o aprendizado com a prática foi maior que com a teoria. Eram poucas as aulas na faculdade sobre o tema, então recorria a grupos de estudo e a busca por conta própria de referências para aprender sobre sexualidade e prevenção. A grande questão nessas intervenções era a provocação para a reflexão sobre o cuidado e respeito com o próprio corpo e sobre relacionamentos interpessoais, com a família, amigos, parcerias.

A face mais vulnerável da sexualidade – promoção de saúde, de direitos e as questões sociais que envolvem a sexualidade
Por mais que eu lesse, as conversas e reflexões vindas dos grupos de adolescentes e com as mulheres eram de grande valor na minha formação como psicóloga no campo da sexualidade. Aprendi formas peculiares de conversar sobre sexualidade: muito mais que a diversidade da orientação sexual e as dificuldades com a prevenção e promoção de saúde.
Aprendi sobre a promoção de saúde e de direitos que tinham como foco a emancipação ou empoderamento das pessoas e de suas vidas. As intervenções principalmente em grupo, mas as feitas individualmente focavam na estratégia de aconselhamento psicológico que tinha como foco a melhora diante do sofrimento e busca por recursos na rede de atenção à saúde e de assistência social. O plantão psicológico se mostrou uma estratégia não só de acolhimento para quem está necessitando naquele momento, mas também do aprimoramento da escuta sobre a sexualidade. Questões duras do viver em sua forma mais vulnerável me ajudaram a abrir a cabeça para o inesperado, o irreverente e o divertido, mas também o violento e o violentado. Antes era comum que a sexualidade atravessasse as questões da vida, mas eu venho aprendendo que nessas experiências, a vida é que atravessava a vivência da sexualidade.

Disfunções sexuais – o atendimento clínico individual e em grupo
Já formada, fiz especialização no campo da Sexualidade Humana e o conhecimento sobre o campo se aprofundou também para as questões relacionadas à disfunção sexual. Aprendi técnicas de diagnóstico e tratamento de questões sexuais relacionadas ao desejo, á excitação, ao desempenho sexual. Questões que privadamente são vividas por muitas pessoas e que poucas procuram ajuda. Muito do que aprendi nas intervenções com adolescentes fizeram ainda mais sentido, porque além das promoções de saúde e prevenção de doenças, percebi o importante papel dessas intervenções também na prevenção de problemas como vaginismo relacionado a questões emocionais, a questão da educação sexual para desmistificar a ideia do “grande macho que não falha nunca” presente em muitas pessoas com disfunção erétil e ejaculação precoce.
Nessa formação também ganhei instrumentos para trabalhar em associação com ginecologistas, psiquiatras, fisioterapeutas no que se referia à reabilitação de funções sexuais e melhora clínica relacionadas a elas.

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