Quem cuida das crianças hoje? A terceirização dos filhos

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Por Cynthia Cassoni

A atenção ao cuidado com a criança é uma constante, mas as formas de lidar e educar e os responsáveis por estes aspectos se modificaram com o decorrer do tempo. Sabemos que no início do século XX as crenças e atitudes sobre a criação dos filhos estavam vinculadas basicamente à religião e a forma como as mães foram educadas. Os pais mantinham o controle e a obediência das crianças por meio da punição severa, com pouco agrado e elogios. 

Depois nas décadas de 50 e 60 os pais, em sua maioria, continuam considerando importante controlar o comportamento de seus filhos, porém de forma menos punitiva, iniciando-se as preocupações quanto a uma infância feliz e despreocupada. Com isso em mente, próximo do final do século XX, a orientação passou a ser, permitir, não tolher, não frustrar e não desestimular a criança. Os pais são criticados se cultivam alguma autoridade sobre os filhos, os quais, consequentemente mostram-se cada vez mais impulsivos e explosivos, gerando frustrações nos pais levando-os a adotar estratégias para conter os filhos como punição física e verbal.

Percebe-se pela fala anterior, que fomos de um extremo ao outro. Este fato junto com o ingresso das mulheres no mercado de trabalho, ficando menos tempo com as crianças, contribuiu para a responsabilidade com relação às crianças se diluir e mesclar de tal forma que hoje não conseguimos discernir, onde ela se encontra.

Temos então vários parentes responsáveis por diferentes dias e horários da agenda da criança. Além disso, cada vez são incluídas mais atividades na vida da criança para que assim o tempo que a criança ficaria sozinha diminua. Agenda cheia, vários responsáveis, ninguém realmente assumindo a criança é a receita perfeita para falhas de comunicação e negligência quanto ao bem estar da criança. Portanto fiquem atentos!

Mais sobre o assunto:

Biasoli-Alves, Z. M. M. (2002). A Questão da Disciplina na Prática de Educação da Criança, no Brasil,  ao Longo do Século XX. Veritati, 2(2), 243-259.

Caldana, R. H. L. (1998). Ser Criança no Início do Século: Alguns retratos e suas Lições. 1998. Tese (Doutorado em Psicologia), – UFSCar.

Cassoni, C., & Caldana, R. H. L. (2017). Estilos e Práticas Educativas Parentais: revisão sistemática e crítica da literatura. Novas Edições Acadêmicas.

Romanelli, G. (2003). Paternidade em famílias de camadas médias. Estudos e Pesquisas em Psicologia, 2, 79-85.

 

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