Aprender e estudar não são a mesma coisa

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Num mundo em constante transformação tecnológica, a habilidade de aprender é algo tão importante que torna-se decisivo inclusive na sobrevivência no mundo adulto. Mas existem alguns mitos envolvendo o aprendizado que precisam ser desfeitos. Resumindo: Aprender é muito mais que estudar.

Quando seu filho está em idade escolar, ele não só está inserido num contexto de aprendizagem de conteúdos formais sobre a cultura em que estamos e estudar é uma parte na aquisição do conhecimento passado, como também é um contexto onde ele pode ampliar seu raio de habilidades de memorização, reflexão e crítica sobre o assunto, argumentação sobre seus pontos de vista e comunicação da sua forma de raciocinar.

Sentar, ler com seu filho, discutir o assunto, selecionar aspectos mais e menos importantes sobre o tema, ampliar fontes de busca de conhecimento, validar e verificar versões sobre o conteúdo, elaborar resumos, perguntas e respostas sobre o tema são parte da técnica de estudo envolvida no processo de aprender.

Fazer tudo isso com seus filhos é difícil. É mesmo! Ainda mais se não estamos acostumados a fazer isso. A falta de tempo e o cansaço em relação às outras atribuições da vida de adulto, o desinteresse pelo conteúdo e pelo ato de estudar em si é a desorganização sobre o de começar a ajudar o filho a estudar são dificuldades encontradas por muitos pais.

Em vez de focar nessas dificuldades, quero aqui ressaltar aspectos positivos e poderosos sobre a atitude de ensinar seu filho a aprender ao invés de estudar .

  • É um momento em que você passa com seu filho ( livrando-se da culpa depois pelo tempo que passou quando ele era pequeno e você perdeu)
  • É uma oportunidade de reciclar e ampliar seus conhecimentos sobre o mundo, sobre seu filho e sobre você mesmo (afinal faz tanto tempo que você saiu da escola, não é? E a informação que vocês virem juntos pode te ajudar a entender melhor seu mundo adulto também)
  • É um momento em que você pode ensinar seu filho a ter crítica e a pensar, experimentar e observar o mundo, complementando com comentários sobre seu tempo de escola, suas experiências com o conteúdo. Isso vai ajudá-lo a integrar os conhecimentos passados pela escola com o mundo experiencial e isso é hoje o que o mercado exige do trabalhador.
  • Esse tempo que você “perde” estudando com ele você não precisa repetir depois que seu filho vai crescendo, ficam guardados na memória dos dois.
  • Essa atitude o prepara para se adaptar ao mundo, dando a ele a confiança de que ele é capaz de adaptar-se e desenvolver conhecimentos sobre o mundo que o rodeia.

Pensa nisso!

Mais sobre o assunto:

MOREIRA, Marco Antonio. Aprendizagem significativa subversiva. Série-Estudos – Periódico do Programa de Pós-Graduação em Educação da UCDB, [S.l.], jun. 2013. ISSN 2318-1982. Disponível em: <http://www.gpec.ucdb.br/serie-estudos/index.php/serie-estudos/article/view/289>. Acesso em: 12 maio 2019. doi:http://dx.doi.org/10.20435/serie-estudos.v0i21.289.

VIEIRA, Fabiana Andrade da Costa. Ensino por investigação e aprendizagem significativa crítica: análise fenomenológica do potencial de uma proposta de ensino. 2012. 144 f. Tese (doutorado) – Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciências, 2012. Disponível em: <http://hdl.handle.net/11449/102039>.

CIA, Fabiana; Pereira, CAMILA Sousa; Del Prette, Zilda Aparecida; Del Prette, Almir. Habilidades sociais parentais e o relacionamento entre pais e filhos. Psicologia em Estudo, Maringá, v.11, n. 1, p. 73-81, Jan./abr. 2006. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/%0D/pe/v11n1/v11n1a09.pdf

Trabalho e sofrimento psíquico em um mundo em transformação

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Quem aqui nunca se sentiu pesado com o trabalho levanta a mão.

Imagino que nem dedos se levantaram. Acho que das pessoas acima de 30 anos que conheço, sem pensar muito, todas já falaram mal do trabalho e como o trabalho adoecia a pessoa.

O trabalho hoje parece um campo de confusões em que se mistura a vida pessoal, relacionamentos, habilidades técnicas e pressões de um mundo em transformação.

Pesquisas vem trazendo cada vez mais tendências de aumento do sofrimento psíquico e de diagnósticos de transtornos mentais no contexto do trabalho.

E isso é motivo de sair por aí e decretar fim do trabalho?

Não! Trabalhar não é só estressante, é movimento de vida! Precisamos nos lembrar disso! Falo isso porque quase todas as pessoas que conheço que falaram mal do trabalho amam seu trabalho e não largariam ele para não trabalhar… tirariam férias, talvez, trocariam de atividade, gostariam de ganhar mais, ter mais tempo pra fazer outras coisas, mas se ficassem sem trabalhar, enlouqueceria!

Então, como que faz? Como que concilia vida pessoal, do trabalho, ganho de dinheiro, produtividade, prazer…

Com paciência, programação e criatividade! Uma dose de coragem de seguir tentando e se equilibrando num barquinho em mar revolto. Essa é a imagem que eu faço quando penso na possibilidade de encontrar equilíbrio na vida. Principalmente de trabalho. Não é apartado do mundo que se vive, mas nele.

Assim o sofrimento psíquico relacionado ao trabalho, se por um lado depende de questões externas a pessoa, por outro pode ser contornado por melhoras internas… com paciência, programação e criatividade!

Se procurar pela internet, encontraremos diversas formas de mudar de vida. Nenhuma se faz com mágica. Da mudança de emprego ao empreendedorismo, há varias formas de lidar de maneira eficaz com o trabalho que produz sofrimento psíquico.

Todas elas passam por atitudes em relação a ele, mudança de crenças, associação e compartilhamento com pessoas que pensam parecido e muita ação.

Da pra fazer isso sem sofrer? Não, mas da pra fazer isso tudo e ser resiliente ao sofrimento.

O que é resiliência? É assunto pra outro artigo.