Preguiça, procrastinação e ócio: qual o espaço da criatividade no nosso cotidiano?

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Eu escuto muito uma mistura de significados dessas palavras. Todas elas abominadas pelo universo do trabalho tradicional. Felizmente, o mundo está mudando e os trabalhos também. Isso significa que os pesos da preguiça, da procrastinação e do ócio vêm mudando também.

  • No mundo em que somos viciados em café, dicas de motivação e produtivismo com cara de produtividade, o marasmo de não fazer nada é entendido como ruim por dar sensação de vazio. Ao mesmo tempo a sensação também é de descansar, sendo algo reservado e desejado ao final de semana, mas sempre interrompido pelo pensamento recorrente e irritante de que não é algo permitido.
  • Esse é o paradoxo que alguns sentem que é prejudicial, pois não parece produtivo enquanto não é possível produzir.
  • Os magos da produtividade avisam em letras garrafais, mas muita gente não presta atenção: tempo de não fazer nada, sentir preguiça, procrastinar e ficar ocioso faz parte! É a atitude em relação a esses sentimentos e comportamentos que faz toda a diferença. Se culpar não muda nada e só piora a sensação de incapacidade.
  • Lanço aqui, portanto, dois desafios para você que quer repensar seu tempo de descanso e as possibilidades que ele abre para você em termos de criatividade: um é de nível iniciante e outro é nível hard.
    • Nível iniciante: coloque o tempo ocioso e a procrastinação na sua rotina. Faça isso se colocando descansos e prazos.
      Nível hard: deixe essa experiência vir espontaneamente, acalme seu coração e siga em frente aproveitando o momento de procrastinação como um momento de autocuidado e melhora da sua autoestima.
  • Responda então a si mesmo: será que esse tempo não te deixa mais criativo e capaz de ter compreensões sobre sua realidade ao invés de só reproduzir fórmulas de sucesso?
  • Trabalho e sofrimento psíquico em um mundo em transformação

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    Quem aqui nunca se sentiu pesado com o trabalho levanta a mão.

    Imagino que nem dedos se levantaram. Acho que das pessoas acima de 30 anos que conheço, sem pensar muito, todas já falaram mal do trabalho e como o trabalho adoecia a pessoa.

    O trabalho hoje parece um campo de confusões em que se mistura a vida pessoal, relacionamentos, habilidades técnicas e pressões de um mundo em transformação.

    Pesquisas vem trazendo cada vez mais tendências de aumento do sofrimento psíquico e de diagnósticos de transtornos mentais no contexto do trabalho.

    E isso é motivo de sair por aí e decretar fim do trabalho?

    Não! Trabalhar não é só estressante, é movimento de vida! Precisamos nos lembrar disso! Falo isso porque quase todas as pessoas que conheço que falaram mal do trabalho amam seu trabalho e não largariam ele para não trabalhar… tirariam férias, talvez, trocariam de atividade, gostariam de ganhar mais, ter mais tempo pra fazer outras coisas, mas se ficassem sem trabalhar, enlouqueceria!

    Então, como que faz? Como que concilia vida pessoal, do trabalho, ganho de dinheiro, produtividade, prazer…

    Com paciência, programação e criatividade! Uma dose de coragem de seguir tentando e se equilibrando num barquinho em mar revolto. Essa é a imagem que eu faço quando penso na possibilidade de encontrar equilíbrio na vida. Principalmente de trabalho. Não é apartado do mundo que se vive, mas nele.

    Assim o sofrimento psíquico relacionado ao trabalho, se por um lado depende de questões externas a pessoa, por outro pode ser contornado por melhoras internas… com paciência, programação e criatividade!

    Se procurar pela internet, encontraremos diversas formas de mudar de vida. Nenhuma se faz com mágica. Da mudança de emprego ao empreendedorismo, há varias formas de lidar de maneira eficaz com o trabalho que produz sofrimento psíquico.

    Todas elas passam por atitudes em relação a ele, mudança de crenças, associação e compartilhamento com pessoas que pensam parecido e muita ação.

    Da pra fazer isso sem sofrer? Não, mas da pra fazer isso tudo e ser resiliente ao sofrimento.

    O que é resiliência? É assunto pra outro artigo.

    Coaching e saúde psíquica: trabalhar junto com outros profissionais?

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    O processo de coaching baseia-se na mudança de estado na atualidade para outro estado desejado, em que recursos são potencializados. Nesse caminho, é comum o encontro com emoções, sentimentos e comportamentos conflitivos, negativos e de exacerbação / idealização das possibilidades de vida.

    Assim, é possível esbarrarmos também com histórias reais de sofrimento psíquico e tentativas de lidar com ele de forma pouco adaptativa ou saudável, pensando a longo prazo. É possível que coaches se esbarrem em conjuntos de comportamentos que recebem diagnósticos de transtornos mentais, ora sendo parte de um longo histórico de vida com sofrimento psíquico do coachee, ora sendo parte de sua personalidade, ora sendo um  episódio isolado de crise psíquica.

    Nesses momentos, um olhar atento especializado pode ser necessário. Cada vez mais, estudos vem discutindo a necessidade de abordagens multiprofissionais e transdisciplinares no cuidado com a saúde psíquica. Profissionais de saúde como psiquiatrias, psicólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, enfermeiros podem ser importantes para otimizar o atendimento ao coachee.

    O coach pode ser a pessoa que serve como elo de ligação entre seu coachee e outros profissioais quando o sofrimento e a falta de recursos para lidar com ele tomam conta da rotina e da sessão de coaching, impedindo o processo de mudança.

    Recovery

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    Nós da Be Brave acreditamos que recuperação e autonomia andam juntos. Queremos incentivar que cada vez mais pessoas vivam de maneira emancipada, apesar das dificuldades encontradas no dia dia.

    O termo de Recovery, ou em Português recuperação ou reestabelecimento vem sendo usado no campo da saúde mental para falar de processos pessoais e coletivos de reorganização da vida e de atividades a partir da reapropriação de si mesmo.

    É uma vertente em saúde mental que propõe olhar de modo diferente para o sofrimento psíquico, a partir de suas possibilidades e recursos já existentes. Com a proposta de sair de um modelo de doença, construímos novos modos de vida para pessoas que recebem diagnósticos psiquiátricos.

    Acreditamos que diagnósticos são uma forma como profissionais de saúde podem se entender e dialogar com o paciente propondo formas de lidar com questões emocionais e relacionais pela ótica da saúde e dos recursos, ao invés de olhar para a ótica da doença.

    Recovery tem 4 valores-chave em saúde mental:

    • foco no indivíduo, percebendo seus pontos fortes, talentos, interesses e limitações;
    • reconhecimento do direito da pessoa de participar completamente de todos os aspectos de seu recovery;
    • reconhece e encoraja o direito das pessoas de fazerem escolhas por si mesmas em relação a objetivos e resultados e
    • crença na capacidade intrínseca da pessoa de construir esse processo de Recovery.