O que é isso de ser Sua Melhor Versão?

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Já não está bom ser quem eu sou? Não vivem dizendo que a gente tem que se aceitar como é? Então como posso me tornar minha melhor versão?

Responder a essa pergunta exige dar um passo para trás e te perguntar: qual a história que você conta de você? Você conta uma história da sua vida a partir de fatos que você lembra, não todos, mas os mais marcantes e esses deixam afetos como gostos na boca ma hora de contar a sua história para alguém. Isso acontece mesmo quando você conta a sua história para você mesmo.

Se você prestar atenção, você não conta a sua versão da história da sua vida da mesma maneira desde que nasceu e também não conta do mesmo modo para todas as pessoas. Pra algumas você deixa mais detalhes, pra outros fala com mais entonação aqui e ali, ou troca seu modo de falar ou as palavras que usa para ter mais ou menos atenção e empatia de quem escuta a sua história (isso vale até pra você mesmo, nas suas conversas consigo mesmo).

Pois bem. Ser Sua Melhor Versão entra nessa querela de contar sua história de vida, ou situações vividas de um jeito que promova mais seu desenvolvimento. Leia isso entendendo que desenvolvimento não é aparecer bem na foto, mas ser capaz de olhar seu álbum de fotos e se reconhecer nele todo e poder pensar em como ser melhor a cada dia.

Implica no modo como compreendemos e damos sentido ao que vivemos e o que fazemos com nossas emoções. Não implica em se ver como alguém que é bonzinho, ou sempre estar certo, sempre ser o melhor entre as pessoas em volta. Não. Tem a ver com o modo como você reconhece suas habilidades, dificuldades, potencialidades (o que você pode vir a se tornar) e conhecer e reconhecer esforços que pode ter para chegar onde você quer, de acordo com o que a realidade compartilhada permite.

Ser Sua Melhor Versão não é ser você mesmo numa roupinha arrumada na foto da rede social e mostrar que está tudo ótimo na sua vida!

Por que não procuramos psicologos?

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woman holding gray ceramic mug
Foto por bruce mars em Pexels.com

Para escrever esse artigo sobre o porque não procuramos psicólogos quando precisamos de um vou sair momentaneamente do papel de psicóloga e entrar no papel (que também vivo) de paciente/cliente de um psicólogo (a). Sim, também nós psicólogos vivemos esse papel, pois também somos pessoas e também nós encontramos muitas vezes dificuldades em cuidar dos nossos sentimentos e comportamentos.
Nem sempre sentimos que estamos sofrendo tanto assim
Isso pode acontecer mesmo quando vários de nossos amigos e parentes percebem que poderia ser de grande ajuda ter um profissional que nos ajude e acompanhe a cuidar de nós mesmos. Mas mesmo que seu sofrimento pareça menor que o de outras pessoas que você conhece, ou sua história de vida não tenha sido tão dramática, não podemos subestimar nossos sofrimentos. Às vezes precisamos de ajuda para tomar decisões, às vezes precisamos de um ouvido que mais que nos escute, nos ajude a nos escutar. Talvez seus amigos estejam dando a melhor ajuda que podem oferecer quando sugerem que procure um profissional.

Psicólogo não é para mim
Ás vezes, achamos que Psicólogos cuidam de loucos ou de não tão loucos, seja porque achamos que não estamos precisando tanto assim como também que precisamos de algo “mais forte”! Essa imagem da Psicologia e dos Psicólogos é um mito. Eu mesma, antes de fazer o curso de Psicologia tinha pouca informação sobre o que um Psicólogo clínico fazia. Ele só conversa? Ele vai me julgar? Ele é facilmente substituível por amigos, que têm a vantagem de ser “grátis”? Ele não vai te entender porque só você sabe o que passou? Outras atividades podem substituir a psicoterapia?
Essas imagens correntes em conversas cotidianas nem sempre retratam com fidedignidade o trabalho de um Psicólogo Clínico. A função de um Psicólogo é ajudá-lo, acompanhá-lo, orientá-lo em seu desenvolvimento psicológico, na promoção de melhora na sua saúde psíquica, no tratamento de transtornos psicológicos e psiquiátricos. Para isso, ele estudou sobre várias áreas da Psicologia, provavelmente fez pós-graduações, investiu em psicoterapia pessoal, trabalha com base na Psicologia como Ciência e obedece e segue um código de ética regulamentado para poder atende-lo.
Outras atividades podem ser também terapêuticas, mas a finalidade da psicoterapia é procurar não só o alívio do sofrimento, mas também recursos para que você cuide de si mesmo e lide melhor com seu cotidiano.
Ou seja, um Psicólogo Clínico é um profissional que se ocupa do estudo da saúde emocional, seja porque você está em sofrimento psíquico que tem por base um transtorno, um momento difícil, um período de reorganização da vida ou uma vontade grande de melhorar algum aspecto da sua vida, SIM, UM PSICÓLOGO É PARA VOCÊ SIM!
Mas eu tomo medicação

Uma questão que interfere na procura por ajuda é a crença que o tratamento psicoterápico pode ser substituído pela medicação psiquiátrica. Estudos vêm mostrando que o uso da medicação para problemas psíquicos têm melhores resultados quando associados à psicoterapia e ao apoio psicossocial. Essas medicações, como toda medicação precisa de acompanhamento, e atuam em aspectos biológicos do funcionamento psicológico. Um psicólogo não pode prescrever medicações, mas trabalha em conjunto com psiquiatras e outros médicos para associar tratamentos e intervenções.
Ou seja, de maneira complementar, o acompanhamento com Psicólogos podem ajuda-lo na aquisição de novas ferramentas para cuidar de si mesmo, na reflexão sobre aspectos disfuncionais da sua vida na mudança de hábitos e padrões de comportamento. Um psicólogo não é capaz de curá-lo, mas ajudá-lo no processo de recuperação e melhora do sofrimento.

Psicoterapia é muito caro
O preço de uma sessão de psicoterapia pode inicialmente assustar, ainda mais quando é recomendado uma sessão semanal, ou até mais sessões. No entanto, gostaria de perguntar para você: Quanto você gasta com você mesmo quando está sofrendo? Quantas vezes você compra coisas por impulso só para sentir-se melhor? Qual o custo do seu sofrimento e que relação você consegue fazer com a sua vida financeira?
Há psicólogos que cobram preços que talvez não caibam no seu orçamento, mas nem todos são assim! Entre os psicólogos que conheço, negociam valores e é possível que você encontre alternativas para ter acesso ao acompanhamento de psicólogos, como clínicas sociais, clínicas-escola, instituições públicas…
O acompanhamento com o psicólogo não é necessariamente pela vida toda. Às vezes esse acompanhamento pode ser breve, às vezes pode demorar alguns anos, você quem escolhe. Alem disso, ele não deve ser pensado como um gasto, mas como um investimento, que pode fazer parte do seu planejamento financeiro.

O importante é cuidar da sua saúde psíquica e um psicólogo pode ser uma das possibilidades de ajuda que você pode encontrar e lançar mão para cuidar melhor de si mesmo!

Coaching e saúde psíquica: trabalhar junto com outros profissionais?

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O processo de coaching baseia-se na mudança de estado na atualidade para outro estado desejado, em que recursos são potencializados. Nesse caminho, é comum o encontro com emoções, sentimentos e comportamentos conflitivos, negativos e de exacerbação / idealização das possibilidades de vida.

Assim, é possível esbarrarmos também com histórias reais de sofrimento psíquico e tentativas de lidar com ele de forma pouco adaptativa ou saudável, pensando a longo prazo. É possível que coaches se esbarrem em conjuntos de comportamentos que recebem diagnósticos de transtornos mentais, ora sendo parte de um longo histórico de vida com sofrimento psíquico do coachee, ora sendo parte de sua personalidade, ora sendo um  episódio isolado de crise psíquica.

Nesses momentos, um olhar atento especializado pode ser necessário. Cada vez mais, estudos vem discutindo a necessidade de abordagens multiprofissionais e transdisciplinares no cuidado com a saúde psíquica. Profissionais de saúde como psiquiatrias, psicólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, enfermeiros podem ser importantes para otimizar o atendimento ao coachee.

O coach pode ser a pessoa que serve como elo de ligação entre seu coachee e outros profissioais quando o sofrimento e a falta de recursos para lidar com ele tomam conta da rotina e da sessão de coaching, impedindo o processo de mudança.

Recovery

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Nós da Be Brave acreditamos que recuperação e autonomia andam juntos. Queremos incentivar que cada vez mais pessoas vivam de maneira emancipada, apesar das dificuldades encontradas no dia dia.

O termo de Recovery, ou em Português recuperação ou reestabelecimento vem sendo usado no campo da saúde mental para falar de processos pessoais e coletivos de reorganização da vida e de atividades a partir da reapropriação de si mesmo.

É uma vertente em saúde mental que propõe olhar de modo diferente para o sofrimento psíquico, a partir de suas possibilidades e recursos já existentes. Com a proposta de sair de um modelo de doença, construímos novos modos de vida para pessoas que recebem diagnósticos psiquiátricos.

Acreditamos que diagnósticos são uma forma como profissionais de saúde podem se entender e dialogar com o paciente propondo formas de lidar com questões emocionais e relacionais pela ótica da saúde e dos recursos, ao invés de olhar para a ótica da doença.

Recovery tem 4 valores-chave em saúde mental:

  • foco no indivíduo, percebendo seus pontos fortes, talentos, interesses e limitações;
  • reconhecimento do direito da pessoa de participar completamente de todos os aspectos de seu recovery;
  • reconhece e encoraja o direito das pessoas de fazerem escolhas por si mesmas em relação a objetivos e resultados e
  • crença na capacidade intrínseca da pessoa de construir esse processo de Recovery.