Preguiça, procrastinação e ócio: qual o espaço da criatividade no nosso cotidiano?

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Eu escuto muito uma mistura de significados dessas palavras. Todas elas abominadas pelo universo do trabalho tradicional. Felizmente, o mundo está mudando e os trabalhos também. Isso significa que os pesos da preguiça, da procrastinação e do ócio vêm mudando também.

  • No mundo em que somos viciados em café, dicas de motivação e produtivismo com cara de produtividade, o marasmo de não fazer nada é entendido como ruim por dar sensação de vazio. Ao mesmo tempo a sensação também é de descansar, sendo algo reservado e desejado ao final de semana, mas sempre interrompido pelo pensamento recorrente e irritante de que não é algo permitido.
  • Esse é o paradoxo que alguns sentem que é prejudicial, pois não parece produtivo enquanto não é possível produzir.
  • Os magos da produtividade avisam em letras garrafais, mas muita gente não presta atenção: tempo de não fazer nada, sentir preguiça, procrastinar e ficar ocioso faz parte! É a atitude em relação a esses sentimentos e comportamentos que faz toda a diferença. Se culpar não muda nada e só piora a sensação de incapacidade.
  • Lanço aqui, portanto, dois desafios para você que quer repensar seu tempo de descanso e as possibilidades que ele abre para você em termos de criatividade: um é de nível iniciante e outro é nível hard.
    • Nível iniciante: coloque o tempo ocioso e a procrastinação na sua rotina. Faça isso se colocando descansos e prazos.
      Nível hard: deixe essa experiência vir espontaneamente, acalme seu coração e siga em frente aproveitando o momento de procrastinação como um momento de autocuidado e melhora da sua autoestima.
  • Responda então a si mesmo: será que esse tempo não te deixa mais criativo e capaz de ter compreensões sobre sua realidade ao invés de só reproduzir fórmulas de sucesso?
  • O que é isso de ser Sua Melhor Versão?

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    Já não está bom ser quem eu sou? Não vivem dizendo que a gente tem que se aceitar como é? Então como posso me tornar minha melhor versão?

    Responder a essa pergunta exige dar um passo para trás e te perguntar: qual a história que você conta de você? Você conta uma história da sua vida a partir de fatos que você lembra, não todos, mas os mais marcantes e esses deixam afetos como gostos na boca ma hora de contar a sua história para alguém. Isso acontece mesmo quando você conta a sua história para você mesmo.

    Se você prestar atenção, você não conta a sua versão da história da sua vida da mesma maneira desde que nasceu e também não conta do mesmo modo para todas as pessoas. Pra algumas você deixa mais detalhes, pra outros fala com mais entonação aqui e ali, ou troca seu modo de falar ou as palavras que usa para ter mais ou menos atenção e empatia de quem escuta a sua história (isso vale até pra você mesmo, nas suas conversas consigo mesmo).

    Pois bem. Ser Sua Melhor Versão entra nessa querela de contar sua história de vida, ou situações vividas de um jeito que promova mais seu desenvolvimento. Leia isso entendendo que desenvolvimento não é aparecer bem na foto, mas ser capaz de olhar seu álbum de fotos e se reconhecer nele todo e poder pensar em como ser melhor a cada dia.

    Implica no modo como compreendemos e damos sentido ao que vivemos e o que fazemos com nossas emoções. Não implica em se ver como alguém que é bonzinho, ou sempre estar certo, sempre ser o melhor entre as pessoas em volta. Não. Tem a ver com o modo como você reconhece suas habilidades, dificuldades, potencialidades (o que você pode vir a se tornar) e conhecer e reconhecer esforços que pode ter para chegar onde você quer, de acordo com o que a realidade compartilhada permite.

    Ser Sua Melhor Versão não é ser você mesmo numa roupinha arrumada na foto da rede social e mostrar que está tudo ótimo na sua vida!

    Trabalho e sofrimento psíquico em um mundo em transformação

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    Quem aqui nunca se sentiu pesado com o trabalho levanta a mão.

    Imagino que nem dedos se levantaram. Acho que das pessoas acima de 30 anos que conheço, sem pensar muito, todas já falaram mal do trabalho e como o trabalho adoecia a pessoa.

    O trabalho hoje parece um campo de confusões em que se mistura a vida pessoal, relacionamentos, habilidades técnicas e pressões de um mundo em transformação.

    Pesquisas vem trazendo cada vez mais tendências de aumento do sofrimento psíquico e de diagnósticos de transtornos mentais no contexto do trabalho.

    E isso é motivo de sair por aí e decretar fim do trabalho?

    Não! Trabalhar não é só estressante, é movimento de vida! Precisamos nos lembrar disso! Falo isso porque quase todas as pessoas que conheço que falaram mal do trabalho amam seu trabalho e não largariam ele para não trabalhar… tirariam férias, talvez, trocariam de atividade, gostariam de ganhar mais, ter mais tempo pra fazer outras coisas, mas se ficassem sem trabalhar, enlouqueceria!

    Então, como que faz? Como que concilia vida pessoal, do trabalho, ganho de dinheiro, produtividade, prazer…

    Com paciência, programação e criatividade! Uma dose de coragem de seguir tentando e se equilibrando num barquinho em mar revolto. Essa é a imagem que eu faço quando penso na possibilidade de encontrar equilíbrio na vida. Principalmente de trabalho. Não é apartado do mundo que se vive, mas nele.

    Assim o sofrimento psíquico relacionado ao trabalho, se por um lado depende de questões externas a pessoa, por outro pode ser contornado por melhoras internas… com paciência, programação e criatividade!

    Se procurar pela internet, encontraremos diversas formas de mudar de vida. Nenhuma se faz com mágica. Da mudança de emprego ao empreendedorismo, há varias formas de lidar de maneira eficaz com o trabalho que produz sofrimento psíquico.

    Todas elas passam por atitudes em relação a ele, mudança de crenças, associação e compartilhamento com pessoas que pensam parecido e muita ação.

    Da pra fazer isso sem sofrer? Não, mas da pra fazer isso tudo e ser resiliente ao sofrimento.

    O que é resiliência? É assunto pra outro artigo.